Como ajudar seu filho a manter a qualidade no sono

Dormir bem é de extrema importância para a saúde das crianças, sendo algo necessário para o seu desenvolvimento e crescimento saudável.  Diz o professor Russell Foster, responsável pela cadeira de Neurociência Circadiana e chefe do Instituto Circadiano de Sono e Neurociência da Universidade de Oxford: “O sono é o nosso comportamento de saúde mais importante”, “ele afeta tudo, do nosso funcionamento no dia-a-dia à nossa saúde física e mental de longo prazo”, disse Foster ao HuffPost UK Lifestyle. Dessa forma, como ajudar os pequenos a dormir melhor e adquirir bons hábitos para uma boa noite de sono? Confira os passos a seguir:

1.           Desacelere

Se seu filho vai dormir às 19h30, a casa toda precisa desacelerar a partir das 18h30. Coloque um jazz, abaixe a luz – a ideia é sinalizar para o seu filho que o sono está chegando.

2.           Crie uma rotina

Organize as atividades que precedem o sono e repita esse padrão diariamente. Dessa forma, isso ajuda o cérebro da criança a se preparar para o momento de dormir e facilita a indução do sono. Exemplo: contar uma historinha antes de dormir.

3.           Ambiente favorável

Mantenha um ambiente favorável para uma boa noite sono. Você pode, por exemplo, colocar músicas de relaxamento no quarto para ajudar a acalmar a criança, caso o ambiente esteja com muito barulho.

4.           Desligue as telas

Recomenda-se que as crianças fiquem longe da TV ou do iPad pelo menos uma hora antes de dormir. Esses aparelhos interrompem seus ritmos circadianos naturais e suprimem a liberação de melatonina, hormônio que ajuda a adormecer.

Luciana Tisser é psicóloga, especialista em Neuropsicologia e em Grupoterapia além de mestre e doutora em Ciências da Saúde – Neurociências e autora de diversos livros infantis e instrumentos de acesso nesta área.

Ansiedade Infantil e as Multitarefas

Ultimamente os pais estão cada vez mais apressados e exigentes; querem que os filhos andem logo, falem logo, seja o primeiro da turma, aprenda a falar inglês aos três anos, aprenda a tocar algum instrumento musical aos cinco, faça natação, balé, judô, futebol, enfim inúmeras atividades. Alguns querem que o filho tenha a oportunidade de fazer atividades que eles não tiveram, outros pensando no futuro do filho, otimizam seu tempo para fazer o máximo de atividades possível.

Frente a isso, gostaria de compartilhar com você uma realidade que me deparo no consultório: cada vez mais estão chegando para mim crianças ansiosas e estressadas, nervosas, agitadas. Alguns pais me dizem que não entendem o porquê desse sintoma, já que normalmente eles aparecem em adultos; há alguns anos atrás não se falava em “criança estressada” e “criança ansiosa”, mas hoje esses termos estão cada vez mais frequentes.

Primeiro é importante entender o contexto que essa criança está inserida; como é a sua rotina e como é a rotina dos seus pais, isso diz muito sobre o comportamento e sintomas que os pequenos apresentam e desenvolvem. Costumo dizer que filhos são espelhos dos pais e não há nada melhor para educar do que os exemplos, suas ações.

É necessário respeitar a fase e idade da criança, muitas vezes o excesso de atividades causa uma sobrecarga e um desgaste físico e emocional nos pequenos, algo que eles não conseguem lidar, pois não tem capacidade simbólica para isso, então surge a ansiedade, a criança fica mais nervosa, mais agitada, o seu corpo começa a responder. Lembre-se que tudo aquilo que não é expressado em palavras, torna-se doença, são as chamadas “doenças psicossomáticas”.

Papai e mamãe, fiquem atentos aos sinais que os pequenos dão e procurem um ponto de equilíbrio entre as atividades que eles exercem, buscando priorizar as suas necessidades. Procurem planejar essas atividades conciliando o lado do aprendizado, que é importante, mas ao mesmo tempo, reservar um tempo para que os pequenos aproveitem sua infância, sem tantos compromissos. E lembrem-se sempre que a linguagem da criança é o brincar! Brincar com seu filho é o maior bem que você pode fazer a ele.

Amanda Ferraz – Psicóloga parceira BBDU
amandafoliveira1@gmail.com

Quando procurar um psicólogo para seu filho?

Quando falamos em saúde, pode ser comum pensarmos somente no campo físico e esquecermos do emocional. Acontece que nossa saúde mental também precisa de atenção e cuidados.

Fazer terapia ajuda a lidarmos com as frustrações da vida cotidiana, além de manter o bem-estar mental para, assim, alcançar uma vida equilibrada e feliz.

Quando procurar a terapia?

Períodos de stress, luto, incertezas, tristezas e conflitos fazem parte da vida de todos. Justamente por isso que é um pouco difícil perceber quando a situação exige a ajuda de um profissional. Conheça a seguir alguns sinais que indicam que é a hora certa de procurar um psicólogo e iniciar uma terapia.

•  Quando estou com problemas emocionais

•  Quando procuro autoconhecimento e equilíbrio emocional

•  Em casos de separações, lutos, perdas ou mudanças

•  Se estou passando por uma situação traumática

•  Sentimentos constantes de tristeza, ansiedade, estresse, raiva, desânimo

•  Se estou com problemas em meu relacionamentos

•  Se estou com alguma doença psiquiátrica, como depressão, ansiedade, fobias, compulsão.

Luciana Tisser é psicóloga, especialista em Neuropsicologia e em Grupoterapia além de mestre e doutora em Ciências da Saúde – Neurociências e autora de diversos livros infantis e instrumentos de acesso nesta área.

20 Passos para o Bom Divórcio – Passo 4

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DESAPEGO

O que te faz permanecer? O que te faz não seguir em frente? É algo material? Um lembrança do passado?

No passo anterior, sugerimos um exercício de pensar: o que é meu e o que é do outro? O que ficaria comigo e o que iria com ele. Lista na mão e três colunas a serem preenchidas: meu, dele e uma com asterísco (*) para os pontos possíveis de discórdia.

Se conseguirmos ser honestas nesta divisão solitária, a chance de termos êxito é maior ainda. Por exemplo: isto ganhei de uma amiga, isto veio da casa dos meus pais e isto ele ganhou de aniversário. O que estabelece o íntimo e pessoal, é íntimo e pessoal. No fundo, a gente sabe o que pertence a cada um. Obviamente teremos que fazer concessões e trocas, faz parte de um bom negociar. Ganhamos alguma coisa, perdemos outra. Isso também é exercitar o desapego.

Com isso, aprendemos que poucas coisas nos são realmente valiosas. Lembranças afetivas valem o investimento. E o ter pelo ter vai desmoronando dentro de nós. A mudança que uma separação traz ocorre, principalmente, dentro da gente.

Este exercício material de desapego, nos fortalece para outras perdas de naturezas diversas. Lembranças não se perdem, filhos permanecem e nós nos ganhamos diferentes. Dói deixar para trás? Certamente. Mas, nos cabe lembrar que neste momento as perdas parecem maiores porque estamos na fase da dor de vivenciar uma decisão. Num momento que ainda não temos como visualizar os ganhos (e muitos são inimagináveis). O caminho é, como viemos fazendo desde o primeiro passo, enfrentar nossas verdades. São elas que vão relativizar as perdas. Por isso o esgotar possibilidades é tão decisivo. Fiz o que podia? Dei o meu melhor para aquele momento? Então, só me resta seguir.

Tudo aquilo que pensamos numa primeira vez, tem muita importância. Nas vezes seguintes, vão diminuindo na escala de valor real. E o que não é lembrado deve certamente ficar para trás.

Mesmo que esteja doendo, uma vida novinha começa a se formar dentro da gente. É a chance de reiniciarmos de um novo jeito, num capitulo de protagonismo nosso. No fim, como nos lembra o Manual, o que realmente importa, cabe dentro de uma pequena malinha.

Seguimos.

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A importância da leitura no desenvolvimento infantil

Ler para uma criança, desde cedo, já na gravidez, tem um especial significado em seu desenvolvimento infantil. Nessa escuta, a criança aprende, cria, libera a imaginação, constrói hipóteses e formas de se comunicar, além de estabelecer vínculos, essenciais à vida presente e futura.

Pesquisas indicam, por exemplo, que crianças cujos pais leram para elas na primeira infância (período do nascimento aos seis anos) chegam aos três anos com melhores índices de vocabulário do que crianças na mesma idade que não contaram com esse estímulo. 😉

Luciana Tisser é psicóloga, especialista em Neuropsicologia e em Grupoterapia além de mestre e doutora em Ciências da Saúde – Neurociências e autora de diversos livros infantis e instrumentos de acesso nesta área.

20 Passos para o Bom Divórcio – Passo 3

By Manual da Separação

Separar estando casada

Ainda dentro de um casamento, incorporadas a um regime de verdades (conquistado no passo anterior), teremos um incômodo natural que traz uma sensação de que não temos mais como voltar para trás: a gente simplesmente deixa de caber. E assim, começamos aqui neste passo, pequenos hábitos e pensamentos que tornam a ideia da separação algo mais concreto.


Já vivenciamos a sensação de que tudo que estava ao nosso alcance foi efetivamente tentado agora, tentaremos trazer esta conclusão para dentro da nossa rotina. Envolve um tanto de desconstrução de um alguém que já não somos mais e, dia a dia, ao enfrentarmos de frente a possibilidade real de um divórcio, vamos nos fortalecendo e afastando alguns medos normais.
É neste momento que nos concentramos na gente, nos fortalecendo emocionalmente: terapia, auto-sustento, independência emocional e tantas outras formas que nos levem para o que for mais confortável.

Há relatos de quem tenha buscado nesta etapa cursos, grupos de corrida, ioga, um novo emprego, terapias variadas. Se traz uma conexão maior com o teu próprio “eu”, está valendo. É a gente se dando colo e se auto abastecendo – lindo de se ver.

É estar dentro de uma formatação, de um compromisso que já não nos faz feliz e pensar: não vou precisar mais disto. É dizer não para o que não nos dá prazer. É investir num café sozinha, em momentos de lazer apenas com os filhos. É correr para os amigos e ficar bem, sozinha em casa. E se experimentar um pouquinho mais, a cada dia.

Estar num ambiente da casa da gente e pensar: o que é de cada um? O que eu levaria comigo daqui? É um ótimo exercício que será muito útil quando falarmos do passo de desapego. Portanto, diariamente e gradativamente vamos nos separando por dentro. Estamos nos experimentando, fazendo um jogo com o nosso imaginário e colocando em prática. Achando soluções e possibilidades e nos desencolhendo sem nos darmos conta.

O fim de uma relação, com toda dose de dor que vem com ele, nos traz uma possibilidade real de crescermos. Podemos fazer um bom uso deste momento para sermos mais.

Núcleo da Separação com Filhos (saiba mais sobre nós)

Sugestões de atividades e jogos infantis para a memória

Exercitar a memória, além de ser muito importante para a aprendizagem, também pode ser muito divertido! Uma poesia, cantiga de roda, jogo ou canção infantil podem ser ótimas maneiras de estimular a memória dos pequenos. Quem exercita a memória também compreende melhor as coisas, os fatos e os acontecimentos. Portanto, não restam dúvidas do quanto a memória está presente em todo o processo de aprendizado!

Dessa forma, Segue aqui 4 dicas de atividades que ajudam a estimular a memória das crianças. Confira:

1. Jogo da Memória

Este jogo já é um clássico super divertido que faz sucesso entre os pequenos. Além de ser uma forma super legal de estimular a memória, vocês podem escolher um jogo com diferentes imagens, com os personagens favoritos do seu pequeno, ou até reinventar a brincadeira e fazer o próprio jogo em casa, com números ou continhas matemáticas, por exemplo.

2. Lembrar o Dia

Outra dica é combinar com seu pequeno de toda noite, antes de dormir, vocês conversarem e cada um contar como foi o seu dia, relembrando tudo o que aconteceu. Além de ser um bom exercício de memória, o momento funciona para viver de novo as boas emoções do dia e fortalecer o vínculo entre vocês!

3. Cantigas

Além de serem importantes fontes de folclore e diferentes culturas, as cantigas estimulam a criatividade, a imaginação e a memória das crianças com danças e letras simples, curtas e fáceis de memorizar!  Então, que tal relembrar e compartilhar com seu pequeno suas cantigas favoritas?

4. O Que Tinha Aqui?

Esta é uma atividade simples e divertida! Basta colocar vários objetos em cima da mesa, pedir para que seu pequeno observe por um tempo os objetos, com atenção. Depois, retire todos os objetos da mesa e peça para que a criança se recorde de tudo que estava lá! Você também pode recolocar os objetos na mesa, deixando um ou dois de fora para que o pequeno tenha que descobrir qual objeto não está mais lá!

Luciana Tisser é psicóloga, especialista em Neuropsicologia e em Grupoterapia além de mestre e doutora em Ciências da Saúde – Neurociências e autora de diversos livros infantis e instrumentos de acesso nesta área.

20 Passos para o Bom Divórcio – Passo 2

By Manual da Separação

Esgotei todas as Possibilidades?

No passo anterior, trouxemos a percepção de posições. Quem acionou o gatilho desta crise, quem deu início a tudo isso. E aqui cabe ressaltar que a separação não é uma crise esperada: casamos desejando o amor romântico, a construção de uma família e que ela seja eterna.

Com o passar do tempo, por várias possibilidades, o casal acaba se perdendo, com o crescimento individual em descompasso com o do outro, mudanças significativas, ausência de projetos em comum, ruídos na comunicação e desconhecimento, as vezes até de si mesmo. Uma crise pode sinalizar um pedido de socorro, uma tentativa ainda de olharmos para aquela relação e retomarmos através do histórico de afeto.

O manual traz questionamentos que nos conduzem a respostas determinantes: existe alguma chance dentro deste casal? Temos a sensação de que fizemos tudo que estava ao nosso alcance? Estamos centrados no todo ou apenas na gente? O que é preciso para sairmos melhores desta fase? Temos sentimentos que anda nos impulsione? Se sim, temos uma caminhada conjunta a trilhar. E todo o casamento vale até o último esforço de investimento.

Agora, se depois deste olhar, destas tentativas vier a sensação do “sim, eu fiz de tudo e não vejo outra saída que não seja uma separação”, pode respirar e começar os passos. Quando partimos do sentir o esgotamento das possibilidades, não temos como evitar este processo e teremos chances determinantes de acabarmos bem, no caminho de um bom divórcio. E sabe o porquê? Porque estaremos em dia com a nossa mais importante verdade e com a menor carga de culpa possível, mesmo que ela insista em nos acompanhar. É uma espécie de autorização para seguirmos em frente.

Esta sensação trará ao longo dos passos, a certeza necessária para conseguirmos resolver diversas questões. Será nossa parceira nos momentos mais difíceis. Nos ajudará a não esmorecer nas primeiras dificuldades. Porque quando não temos certezas, e muitas vezes não teremos mesmo, partimos em desvantagem e ficaremos presas no passado, buscando respostas e motivos que já nem existem mais.

Esgotar possibilidades dentro de um casamento faz com que ele encerre de forma inteira. E neste processo, o caminho se da para frente, numa perspectiva de futuro, com o nosso olhar de agora.  

É o caminho para um melhor divórcio? Seguimos.

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20 Passos para o Bom Divórcio – Passo 1

By Manual da Separação

Em que posição me encontro?

O fim partiu de quem e que diferença isso faz?

Por razões pessoais: amadurecimento de uma situação emocional, enfrentamentos, aprofundamento em terapias, buscas pessoais, tem sempre um, dentro de um casal, que percebe o fim antes do outro. E o perceber não significa desejar aquele final. Apenas está atento a um processo que pode vir a ser apenas uma crise a ser enfrentada ou, o início de uma separação. Este, sinaliza com conversas e com atitudes que nos direcionam para este pensar: como fazer e sair de uma situação assim. Com esta “vantagem” de auto percepção, muitas vezes, lá na frente, aos olhos do outro, parece sofrer menos com a separação, quando, na verdade, iniciou o luto anteriormente, evidenciando um dos tantos desencontros típicos de uma relação em desarmonia.

A este é dado o rótulo de acionador do gatilho, responsável pela crise e pelo desencadear do processo de separação e no desenrolar dos passos de um divórcio, normalmente àquele que carrega uma culpa significativa.

Por outro lado, aquele que não deu causa ou que não trouxe a verbalização da crise, costuma ocupar o papel de vítima. Não desejou, não esperava e muitas vezes afirma ter sido pego de surpresa. Ao contrário do papel da culpa, a este cabe a vitimização, normalmente representada por atitudes de resistência, fragilidade e indignação.

E o que esta definição nos permite concluir ao longo do caminhar para um divórcio? Os posicionamentos citados definem um processo negocial. Interferem no enfrentamento, no ceder ou não e na necessidade de se responsabilizar alguém, o que muitas vezes pode ser prejudicial para toda uma família.

Veremos ao longo dos passos que não existem culpados. Quando um casamento chega ao fim ele vem dando sinais de saturação, de não cuidado e falhas de ambos os lados.

Ao contrário do que podem pensar, o Manual não faz apologia à separação. No passo seguinte, Esgotando possibilidades, veremos se dentro daquele casamento não existe ainda alguma possibilidade de retomada e redirecionamento, configurando apenas a sinalização de uma crise. Porque olhar com lentes de enfrentamento não só é uma possibilidade de aproveitamento a uma eventual chance como também, uma visão necessária (e real) de seguirmos em frente e nos separarmos da melhor forma possível.

Existe uma forma para isso? Existe um bom divórcio?

Existe, sim. Segue os passos e te mostraremos um caminho.

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Primeira Infância: a fase mais importante da vida

“Educa as crianças, e não precisarás castigar os homens.”

Essa frase é do filósofo grego Pitágoras, e eu a escolhi para começar esse texto porque educar as crianças e investir na Primeira Infância têm efeitos sobre a capacidade intelectual, a personalidade e o comportamento social futuros.

A primeira infância é a fase da vida entre zero e seis anos de idade. O papel dessa época da vida no desenvolvimento mental, emocional, de aprendizagem e de socialização da criança talvez seja tão ou mais importante que a evolução física e neurológica.

No primeiro ano de vida, o bebê é quase totalmente dependente dos adultos que o cercam, começando pela alimentação apropriada, proteção, cuidados com sua saúde e afeto. Os primeiros anos são fundamentais para o desenvolvimento da criança. Inclusive, cientistas já comprovaram que oferecer condições favoráveis ao desenvolvimento infantil nos primeiros anos de vida é mais eficaz e gera menos custos do que tentar reverter ou minimizar os efeitos ou problemas futuros. Dentre os benefícios, há ganhos no desenvolvimento cognitivo a curto prazo, melhora nos níveis de aprendizado a médio prazo e na escolaridade, empregabilidade, qualidade de vida e renda, a longo prazo.

O cérebro e todo o sistema nervoso central se formam nesse início da vida, ou, melhor dizendo, desde a gestação. A neurociência, ciência que estuda o desenvolvimento e o funcionamento desse sistema, afirma que existe uma relação direta entre as primeiras experiências e o desenvolvimento cerebral. O desenvolvimento do cérebro depende de uma complexa interação entre os genes com os quais se nasce e as primeiras experiências que se tem. As primeiras experiências têm um impacto decisivo na arquitetura do cérebro e na natureza e qualidade da capacidade do adulto.

Pode-se dizer que as relações iniciais com os primeiros cuidadores (mãe, pai ou outra pessoa que se ocupa integralmente do bebê) são determinantes nesse processo de formação da criança e, por isso, devem ser relações de qualidade, baseadas tanto em atenção às necessidades do corpo e do organismo quanto em vínculos afetivos consistentes, comunicação, segurança e ainda oferta de boas experiências para apresentar-lhe o mundo. Trata-se aqui de olho no olho, de voz que acalenta e conta uma história, de sustentação corporal, de acolhimento às sensações e sentimentos, de presença permanente e significativa que garante a continuidade dos cuidados, de emoções que moldam essa relação e ainda de brincadeiras compartilhadas.

Tem muita coisa em jogo nessa interação. É preciso que os papais e mamães estejam inteiros, que estejam disponíveis para acompanhar cada passo desse caminho inicial e que consigam tanto decifrar os sinais que chegam quanto os que são transmitidos pelos pequenos. Aprender a comunicar-se para além das palavras, mas pelos gestos, sons e balbucios, expressões, mudanças de comportamento. As crianças pequenas são conectadas e comunicativas.

Os bebês precisam se adaptar ao mundo em que chegaram, porém não fazem isso passivamente, mas de modo ativo e competente.Os bebês convocam os adultos a se ocuparem deles, a oferecerem novidades para suas descobertas e solução para suas necessidades. No processo de desenvolver-se integralmente, muitos encontros, de diferentes naturezas, serão estabelecidos, resultando em um sujeito único e singular.

Desta forma, é preciso retomar a ideia de que cada uma das experiências vividas terá sua parte na escrita dessa história, começando pelas experiências com você, papai e mamãe que cuida e se ocupa dessa criança. É preciso muitos cuidados nesse caminho que parte da extrema dependência para a independência e autonomia. Vocês oferecem a voz, o olhar, o corpo que segura e acolhe, oferecem as palavras que consolam, que explicam, que descortinam horizontes, inserindo a criança no mundo e suas infinitas possibilidades. À criança cabe viver intensamente todas essas experiências que lhe são oferecidas: ser curiosa, investigar, conhecer, vincular-se e, mais do que tudo, BRINCAR!

Amanda Ferraz – Psicóloga parceira BBDU

amandafoliveira1@gmail.com