A maternidade é um desafio. Apesar do amor, da realização e do carinho sentidos, ser mãe não é uma comédia romântica. Um dos momentos mais lindos da vida das mulheres, é também um dos mais difíceis. O sono, o cansaço e a exaustão fazem parte desse processo, principalmente nos primeiros meses, e especialmente quando as mulheres ficam sobrecarregadas, sem a participação dos(as) parceiros(as) nesse processo. 

Mas quando esses sentimentos se tornam sintomas? Quando a exaustão se torna uma síndrome, que requer tratamento e acompanhamento médico? Muitas mulheres sofrem da Síndrome de Burnout Materno, que nada mais é do que uma alta carga de estresse capaz de distorcer os sentimentos e provocar uma série de pensamentos negativos. A boa notícia é que existe tratamento: você não precisa sofrer sozinha.

Síndrome de Burnout

Você já deve ter ouvido falar desse termo para se referir a um transtorno causado por estresse no trabalho. O mundo corporativo e a ideia de “workaholic” – ou vício em trabalho – ocasionaram algumas perdas para a saúde mental. Esse conceito foi levado ao mundo materno quando constatou-se que o esgotamento mental das mães é muito semelhante ao ocorrido nas empresas.

A psicóloga clínica Juliana Benevides explica

A maioria das mulheres é submetida ao esgotamento porque se espera que elas estejam preparadas para serem mães, profissionais e donas de casa. Muitas não se dão conta e não têm coragem de externar a dificuldade, pois se sentem constantemente julgadas. Isso vai se acumulando dentro delas e, em um momento, vem a sensação de que a vida está anulada, pois nada que fazem é para elas, não há um momento de ócio. Tudo é para os outros ou para os filhos. Não há mais sentido e prazer naquilo.

Juliana Benevides

Entre os principais sintomas do quadro, estão: intensa exaustão física e emocional, tristeza, ansiedade, apatia, taquicardia, esquecimentos, falta de interesse e irritação. Trouxemos algumas situações mais práticas que podem servir de alerta. Confira agora e lembre-se: se tiver qualquer sintoma, procure um médico. 

1. Mesmo quando está em momentos felizes e tranquilos com seu bebê, você se sente triste

A sensação de tristeza é constante. Nenhum momento, por melhor que seja, faz você se sentir plenamente realizada ou alegre. Vale lembrar que esse sintoma corresponde a uma série de diagnósticos psicológicos, que não são necessariamente Burnout. Há, inclusive, a depressão pós parto, que é causada por motivos diferentes, mas que tem sintomas bem parecidos. 

2. Você se sente apática

Você não sente emoção, motivação ou entusiasmo: tem a impressão de estar indiferente, sem se importar, e sem estímulo para cuidar do bebê. Muito porque sente que sua vida se resume a isso.

3. Se o bebê faz algo, você fica desproporcionalmente irritada

Ok, é irritante não conseguir dormir de noite, ou ter que trocar novamente o bebê passados apenas alguns minutinhos. Você não precisa se sentir culpada por, às vezes, sentir-se incomodada ou estressada. No entanto, passa a ser preocupante quando você sente, de fato, raiva. Isso é um dos principais sinais de que se está diante de um caso de Burnout.

4. Passam por sua cabeça sentimentos ruins

Podem ser tanto sentimentos agressivos, como sentimentos de fraqueza, desistência. É como se você perdesse as forças e falasse para si própria que não consegue. 

 5. Você se sente mal quando seu filho chora

Você sente que não há nada que você possa fazer por ele, e passa a se sentir culpada quando ele chora, mesmo que seja uma situação totalmente normal. 

6. Sua autoestima está muito baixa

O momento pós parto realmente não favorece a autoestima. É uma etapa de muita dedicação para o recém nascido. No entanto, você não precisa deixar de pensar em você: isso é saudável. Tomar um banho relaxante, fazer atividade física (se já liberada pelos médicos), se arrumar, ir ao salão de beleza. Tudo isso são atitudes que você pode e deve tentar realizar. Pelo seu bem, e pelo bem do seu filho. Se, no entanto, você não tem vontade nem de tentar fazer algo pela sua autoestima, sendo tomada pelo desalento e pela angústia, isso pode ser um sintoma. 

 7. Você tem dúvidas se consegue cuidar dos seus filhos

Como mães, costumamos nos cobrar muito. Será que estamos fazendo o mais correto? Nem sempre conseguimos acertar, mas sempre fazemos o melhor que podemos naquele momento. Mas, se você pensa que não é capaz de fazer isso, ou tem dúvidas disso, respire fundo. É bem possível que isso não seja somente uma insegurança, e sim um sintoma. 

Conclusão

Você precisa ter claro: a maternidade não é um mar de rosas, mas ela também não pode ser um pesadelo. O desgaste é normal, mas ele não pode se sobrepor a todos os outros momentos felizes. Se isso estiver ocorrendo com você, não é motivo de vergonha. Precisamos desvincular os distúrbios psicológicos do sentimento de culpa. Ninguém fica mentalmente mal porque quer, ou porque procurou isso. 

Precisamos enxergar a doença mental como o que de fato é: uma doença. Portanto, você não será uma mãe menos maravilhosa se pedir ajuda e procurar tratamento. Pelo contrário, você será ainda melhor. Porque cuidando de você, você está cuidando também do seu bebê. 

Juliana Martins
Psicóloga | Mãe da Duda | Criadora da BBDU

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