O risco da pandemia para as crianças existe tanto na opção de permanecer em casa, com ensino remoto, como na volta às aulas. É visto que o isolamento social provoca efeitos ruins para o aprendizado das crianças, bem como para o desenvolvimento físico e mental. Ele ainda é particularmente prejudicial quando amplia as situações de desigualdade escolar no Brasil. 

Segundo o infectologista pediátrico Marcelo Otsuka, as crianças apresentam casos menos graves, mas podem contribuir significadamente para a transmissão da doença. Dessa forma, o retorno ao estudo presencial pode ser perigoso para os profissionais, professores, pais e cuidadores. Tomar as medidas corretas para a proteção dos pequenos, portanto, além de ser correto perante às regras das escolas e dos decretos municipais, salva vidas.

Organize o material individual

A lição mais importante que a pandemia do Novo Coronavírus trouxe é: não compartilhe materiais, principalmente aqueles de beber/comer. Não parece surreal que, até poucos meses atrás, dividíamos copos? Bebedouros? O mundo pós COVID-19 não tem espaço para isso. Portanto, todos os materiais das crianças devem ser identificados com seu nome e sobrenome para evitar trocas.

Em relação ao uso de máscaras, a orientação, é, além de levar a que a criança já estará usando, ter uma reserva para trocar a cada 2 horas. Para isso, é necessário dividir essas máscaras em saquinhos: um para as limpas, outro para as usadas. A própria máscara também deve estar identificada com adesivos para tecido – ou personalizadas na própria estampa -, a fim de impedir qualquer confusão. Atenção! Crianças de até 2 anos não devem utilizar máscara. 

Oriente a criança

O seu filho ou a sua filha sabe por qual motivo está utilizando máscara e álcool em gel? A criança, mesmo que de forma não 100% consciente, entende as mudanças que estão ocorrendo. Se você não explicar da melhor maneira, ela irá interpretar os fatos sozinha, o que pode causar medo, angústia ou pânico. Não subestime a capacidade da criança de entender a realidade. Esclareça, portanto, utilizando o diálogo mais adequado para cada idade. Você pode, por exemplo, explicar que a máscara “reduz o medo”, ou que o transforma em um super-herói ou heroína, por salvar outras pessoas.

Dicas para normalizar o uso da máscara

Para que você consiga criar uma associação positiva à máscara, é importante normalizá-la na vida da criança. Lembre de fazer isso sempre com tranquilidade, e deixe claro que as medidas são temporárias. Além disso, explique que o ato interfere na saúde das pessoas ao seu redor: pode ser uma boa oportunidade para abrir um diálogo sobre coletividade, vida em sociedade e empatia.

Compre/faça máscaras decoradas

O objetivo é fazer com que a criança tenha vontade de usar o acessório, certo? Nada melhor, portanto, do que tornar as coisas mais leves e descontraídas, utilizando máscaras, de fato, infantis. 

Use os brinquedos como cobaias

Já pensou em explicar o uso da máscara utilizando um ursinho ou um boneco? Pode ser uma maneira incrível de orientar a criança sobre a colocação do material, por onde segurar ou o que não se deve fazer. Cuide para sempre falar em tom positivo, focando nos benefícios das medidas de segurança, e não em tom punitivo.

Busque referências de outras crianças usando máscara

É interessante mostrar que todas as crianças do mundo inteiro também estão precisando se adaptar a essa realidade, por um bem comum. Isso gera uma sensação de pertencimento e responsabilidade para com o outro, legitimando as medidas.

Faça jogos de expressão

Quem diria que a expressão dos nossos olhos se tornaria tão marcante? Aproveite a situação para estimular uma percepção diferente de emoções, sentimentos e semblantes. Crie um jogo de adivinhação, em que a criança não pode pronunciar palavras, mas somente se expressar com o olhar. Além disso, tente acostumar a criança à mudança em relação aos cumprimentos: não podemos mais abraçar ou beijar as pessoas, mas quais outras opções – igualmente humanas e carinhosas – podemos aderir? Esse é o mote das plaquinhas da saudação.

O que esperar das escolas

É importante que os pais estejam próximos à coordenação das escolas para verificar se as medidas de segurança estão, realmente, sendo tomadas. A disponibilização de álcool em gel, limpeza dos ambientes com produtos adequados, cuidados com a higiene dos espaços é fundamental para que se mantenha o controle. A escola também deve aumentar a oferta de materiais ou brinquedos, para minimizar os compartilhamentos, bem como orientar as crianças em momentos como hora do lanche ou recreio.

Rodízios e divisões de turma também são ações muito bem-vindas, mas dependem da realidade de cada local. Como mãe ou pai, atente-se para cumprir as regras estabelecidas e garantir a saúde física e emocional das crianças, que tiveram a rotina tão fortemente alterada durante a pandemia.

Conclusão

A volta às aulas pode causar muita aflição e angústia para os pais, mas não deve ser vista dessa forma pelas crianças. O aprendizado presencial tem enormes vantagens, entre elas o estímulo ao desenvolvimento cognitivo e social da criança. O risco causado pela pandemia do Novo Coronavírus é real, e deve ser respeitado: mas nunca de forma pesada. Portanto, torne o momento mais agradável e conte com a ajuda da BBDU para dar aquela forcinha! 

Juliana Martins
Psicóloga | Mãe da Duda | Criadora da BBDU

Leave a Reply

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.

%d bloggers like this: