20 PASSOS PARA O BOM DIVÓRCIO – PASSO 16: A VIDA CONTINUA

Quando nos confrontamos com os primeiros momentos em que ficaremos sozinhas, no início pode ser meio aterrorizante. Mas, no desenrolar de todo o processo já vivido, a cada adversidade superada, aprenderemos a estar em paz com a nossa própria companhia e assim, estes momentos vão sendo cada vez mais apreciados. Valorizar os colos recebidos, a possibilidade de um recomeço em outro lugar – ou no mesmo, numa nova releitura de espaços-, estar em dia com a nossa auto estima e acreditando no nosso potencial de recuperação, isentas de culpas e maiores na aceitação, tudo tende a amenizar.

Assim, chega um momento, e chega mesmo, que nos damos conta que passaram 24 horas e nem lembramos de nada que nos associasse à dor, culpa, remorso ou simplesmente à figura do/a ex. Entramos no ritmo da vida, assistimos a um filme, lemos um livro, uma conversa amena e, ops! Não é que conseguimos nos desligar mesmo? São primeiros momentos que vão surgindo cada vez com maior frequência e que irão espaçando as dores, os medos ou qualquer pensamento ruim.

E chega o dia também que dentro de um momento tão bom com os nossos filhos nem lembramos de outra configuração familiar. Como se o presente vencesse o passado em intensidade. Estes momentos de respiro vão aparecendo mais seguido, aumentando nosso potencial de voltar a sonhar. Passamos a fazer novos planos e a nos imaginar fazendo algo que antes nem pensávamos: um curso, uma experiência em algo novo, um coração preenchido novamente da gente e até com sinais de espaço para mais alguém.

Se estamos recheadas de nós mesmas, se buscamos pequenos momentos de prazer, vamos nos transformando novamente. Se saímos machucadas ao final de um casamento, saímos maiores também. E neste momento do voltar a viver mais, apreciando pequenas coisas, vamos ficando maiores. E sabe quem percebe primeiramente este agigantamento? Nossos filhos.

Chega a hora que damos tchau para eles sem dor; que ficamos sozinhas numa noite de sábado, abrimos um vinho e vamos comer felizes na frente da tv. Que não vemos o tempo passar ao lado de uma boa conversa com uma amiga. Que nos sentimos acolhidas pela nossa família de origem e nos damos conta que estamos mais felizes e mais nós mesmas dentro do nosso habitat. E um dia, sem mais nem menos, nos apaixonamos novamente. Lembramos que antes de uma esposa sofrida, de uma mãe culpada, ainda somos mulheres. Com o diferencial absoluto de termos em nós uma história a mais para contar. Uma experiência vivida que nos ensinou muita coisa. Fazer novas escolhas, por exemplo, é uma chance de nos reescrevermos e recomeçarmos (por fora e por dentro).

                                                                                               By, Manual da separação

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