20 PASSOS PARA O BOM DIVÓRCIO – PASSO 15: O QUE FAZER COM A RAIVA

By Manual da Separação

A este altura dos passos sabemos o mal que a raiva provoca em todo o sistema familiar, o quanto dificulta a relação entre os pais e que dela os desdobramentos são sempre prejudiciais. Também sabemos que sentimentos originados de rupturas, como a raiva, fazem parte do contexto. Vindos de finais de expectativas de projetos de vida, de mágoas acumuladas, de fatos graves que tenham ocorrido e que provocam, inevitavelmente, desconforto na presença do outro e necessidade genuína de mostrar esta dor, enfrentar o outro e conflitar.  Muitas vezes, dando a sensação de que investir no conflito seria a melhor forma de dar conta de algo tão ruim.  

Se olharmos para estes sentimentos como algo esperado, normal para o processo, estaremos nos acolhendo e sabendo que com o devido tempo de cura, tudo irá se acalmar. O problema é quando a raiva ultrapassa o razoável: quando em detrimento dela, deixamos de proteger nossos filhos. Quando passa do ponto que define o que é nosso do que é deles. 

Independente do desfecho de cada relação, certamente os filhos não têm absolutamente nada a ver com isso. Assim, em casos em que a raiva esta desmedida, comprometendo o vinculo dos filhos com o outro, respingando dor em quem não deve carregar, precisaremos olhar com cuidado para ver se não há indicio de alienação parental ou, numa dose menor de sentir/agir, o quanto a busca por uma ajuda técnica poderá ajudar a ultrapassar este ponto de dor, facilitando a sua compreensão e a análise de todo o contexto do que a provoca. 

A raiva é um grande impeditivo para se fazer uma virada. Ela faz com que a gente se aprisione ao passado. Faz com que as pessoas não percebam nem as coisas boas que podem estar acontecendo ao redor delas mesmas. É uma prisão perigosa e que forma raízes profundas. 

É por ela que brigas judiciais são mantidas de forma interminável, por ela que identificamos impeditivos para fechamento de acordos, jogos de trapaças, investimento num ódio familiar para todo o sempre. E nisso, nesse tipo de relação comprometida não tem final feliz. As dores serão perpetuadas nos filhos e netos. E mais adiante, lá no finalzinho da vida, qual foi o ganho mesmo? 

Identificando este sentimento, nós o normalizamos, aprendendo a identificar a origem e a forma como atua e aí temos a possibilidade de domínio. Cabe a nós definirmos quem domina quem. Evitar revides, fugir de algumas armadilhas fazem parte de um planejamento de superação e proteção a uma relação que inevitavelmente se perpetuará no tempo. Se é inevitável, podemos viver melhor ou pior com ela. A decisão é nossa. 

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