20 PASSOS PARA O BOM DIVÓRCIO – PASSO 11: HORA DO RECOLHIMENTO

By Manual da Separação

Hoje, com frequência, confunde-se o que é publico do que é privado. A dor, o luto para a efetiva reconstrução, deve se dar numa esfera intima. Postagens com fotos se mostrando disponível, vivendo o novo amor da vida, precocemente, traduzem uma fragilidade e provavelmente, escolhas equivocadas. Mas, se assim for esta tal felicidade que precisa estar tão evidenciada, não esta no mínimo, respeitando a eventual dor do outro.

Observamos que machucados, e normalmente em tempos diferentes de reconstrução, tem sempre um que se restabelece antes e que pode, de forma desnecessária, fazer questão de mostrar esta mudança. As vezes, porque não esta bem mas precisa mostrar que está. Ou ainda, porque vinha mal ha tanto tempo, que realmente esta aliviado. O apelo midiático de vidas felizes colabora significativamente com este “precisar estar bem”: linda, magra e de bem com a vida.

Porém, sabemos que em processos de divórcio, frente às perdas e dores inevitáveis, ninguém sai soltando fogos de artifícios e desfilando na semana seguinte em escolas de samba. Sabe-se que um luto bem vivido, curado, onde se enfrentam as dores de forma verdadeira é o único caminho real para a reconstrução, para a virada de página. Quando chamamos o divórcio de crise evolutiva, é exatamente esta possibilidade de fazer uso da adversidade da vida, para irmos além, evoluirmos enquanto seres humanos e de la saírmos mais fortalecidos. Quer mais? E dando um baita exemplo para nossos filhos.

Ocorre que nem todo mundo percebe esta chance assim. Antecipando passos, perde a chance de fazer bem feito, de respeitar o tempo de reconstrução do outro e conduzir melhor o seu divórcio. Muito acordos que estão bem encaminhados trancam em dores pelo excesso de exposição de uma das partes. E ai, nos perguntamos: para quê? O desrespeito com a dor do outro pode provocar terremotos emocionais de consequências severas: comprometimento da parentalidade saudável, brigas judiciais e vínculos conjugais que não se encerram nunca.

Àquele machucado, vai fazer plantão nas redes sociais, sim. Vai fazer uma busca por informações constantes e se alimentar disso. É o que chamamos dos “buracos negros”. Estes devem ser evitados para que possamos seguir em frente. Bloquear o outro nas redes sociais, pedir para aquela amiga bem informada que não traga noticias do ex, é uma forma protetiva de evitar estes buracos.

Recolhe, acolhe, absorve, aprende e cresce para começar tudo de novo.

E lembra: a verdadeira felicidade é silenciosa e chega devagar. Há o tempo do recolhimento, o tempo de ajustes. Para dai, sim, chegar o tempo de se expor para quem quiser, onde quiser, do jeito que for. Porque chega uma hora que realmente ninguém mais tem nada a ver com a vida da gente.

 Isso se chama, de verdade, liberdade.

Um passo de cada vez.

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